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“Uma Igreja em saída” – Mt 28,16-20 – Festa da Santíssima Trindade! O Evangelho que a Liturgia nos oferece neste dia não trata da Trindade divina em si. Indica sim “em nome de quem” acontece o batismo a quem se torna discípulo de Jesus. Aproximando-nos mais do relato do final do Evangelho de Mateus, vemos que ele não conclui seu Evangelho com a cena da Ascenção de Jesus, como em Lucas (24,50-53), mesmo que, em ambos, Jesus esteja com seus discíp ...

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» Saboreando a Palavra
Compaixão leva à transgressão – Mc 1,40- 45 – Estamos no 6º domingo do Tempo Comum, este interlúdio entre o tempo de Natal e da Quaresma. O próximo domingo já é o 1º Domingo da Quaresma e as leituras seguem outra dinamicidade. Neste 6º domingo encerra-se o primeiro capítulo de Marcos e é com “chave de ouro” que o evangelista o faz. Acompanhando a trajetória de Jesus, após um dia de “agenda cheia” (cf. Mc 1,16-39), inesperadamente entra em cena um leproso. A narrativa não informa o lugar em que se dá o encontro, como nas narrativas anteriores. A liturgia diária desta semana traz à nossa leitura e reflexão o Cap 7 de Marcos, parte central do Evangelho de Marcos para o ensinamento de Jesus sobre a Lei do puro e o impuro. Segundo a Lei, o leproso, impuro por excelência, não pode entrar em contato com ninguém. No livro do Levítico lemos: “As vestes do leproso ... serão rasgadas, e os seus cabelos serão desgrenhados; .... clamará: Imundo! Imundo! Será imundo durante os dias em que a lepra estiver nele; é imundo, habitará só; a sua habitação será fora do povoado” (cf Lv 13,45-46). Assim, além de um excluído familiar, social, o leproso se via excluído por Deus, pois não podia frequentar o Templo. No relato de Marcos, inesperadamente um leproso se atreve a desafiar todas as normas. Ele tem consciência de sua “desobediência civil e religiosa”. Põe-se de joelhos e nem sequer levanta seu olhar para Jesus. “Se quiseres, podes limpar-me”. Não pede para ser curado, como seria de se esperar, mas pede para ficar limpo, purificado. A exclusão é pior do que a doença. Ele reconhece que Jesus tem o poder e a compaixão necessária, mas conta com a possibilidade de Jesus não querer correr o risco de transgredir a “sagrada lei” do puro e do impuro. Jesus é líder popular famoso e dar atenção a um excluído é ser excluído também. A cena toda causa surpresa, certo incômodo, mas também suspense e certa ansiedade pelo desfecho. Diante da situação daquele pobre, absolutamente excluído, um vivo morte, Jesus fica comovido e indignado. Comovido diante de tamanha exclusão e indignado com a sociedade e a religião que gera tal exclusão. O Projeto do Pai assumido por Jesus não admite a rejeição ou exclusão social dos indesejáveis. Uma “ira santa” se apodera dele e, sem hesitar, “estende a mão”, toca no leproso e, cheio de ternura e compaixão, manifesta seu desejo mais profundo, este desejo que vem de “entranhas comovidas”: “Eu quero. Fique purificado”. Com tal atitude Jesus desafia o sistema político e religioso que mantém tanta gente no abandono e no desprezo. Mas também assume a mesma condição de exclusão, pois será visto como impuro e terá que “ficar fora da cidade”. Mas a compaixão desencadeia mais transgressão: os indesejáveis vão a procura Dele onde quer que esteja. Ir. Zenilda Luzia Petry - FSJ
Congregação das Irmãs Franciscanas de São José
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